Mea Auten Brasiliae Magnitudo

8.4.07

Páscoa

Páscoa, a celebração da ressurreição de Jesus, quando ele retornou para incitar seus principais seguidores a espalhar a sua mensagem. Nem sei porque decidi entrar nesse assunto, vai ver é falta de assunto. Não gosto de tratar de temas religiosos no blog. Mas como ontem passou "A Paixão de Cristo" do Mel Gibson, pude relembrar o quanto repudiei - e a ainda repudio - a imagem do Cristo sendo açoitado e executado na cruz. Jamais permitiria que em minha casa houvesse uma imagem dele crucificado. Na verdade, acho bizarro que o símbolo do Cristianismo seja a cruz, um instrumento de morte - quando Jesus sempre pregou Vida - e símbolo do poder de um povo dominador (os romanos) sobre o outro, dominado (os judeus). E se fosse o contrário? E se o Império Romano tivesse suplantado o Cristianismo através da crucificação em massa, qual seria o símbolo de uma suposta religião ocidental politeísta, baseada em deuses greco-romanos como Júpiter, Plutão, Hera, Atena e Afrodite?
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Sei lá, prefiro acreditar que o seu maior legado foram o seu exemplo e suas palavras, não seus milagres - dentre eles a ressurreição. Sua mensagem revolucionou o pensamento, no campo da ética e da moral. Acredito que ele nunca quis ser visto como um mártir, talvez tivesse planos de estender sua obra em uma existência mais longa, quando foi interrompido. Seu exemplo não está na forma como encarou a morte, trágica e grandiloqüente demais para um espírito tão humilde. Não, a sua grandiosidade estava no exemplo de como viveu... na forma como tratou as pessoas... no amor desmensurado em acolher doentes e necessitados... na misericórdia permeada de gentileza, para aqueles que buscavam alívio ao sofrimento... na alegria em repartir tudo que pudesse fazer progredir, fosse materialmente, ou pela sabedoria das palavras...na fé e no otimismo em relação ao ser humano... E uma lição tão preciosa, mas esquecida hoje em dia: o desapego às coisas materiais em prol de uma comunhão universal, cada vez mais essencial à nossa própria sobrevivência.
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Dificilmente Jesus voltaria novamente à Terra. Seu legado persiste há séculos. Pelo que vejo, ele prefere despachar, volta e meia, pessoas especiais, que nos façam lembrar dos seus ensinamentos. Para minha felicidade, conheço, de perto, pessoas que me ensinam ou relembram muitas dessas lições... de maneira repaginada, adaptada aos novos tempos, claro. Mas no fundo, a essência é a mesma. O mais curioso é que muitas vezes, elas nem se apercebem... Talvez porque, muito mais do que grandes aventuras ou palavras vazias, é o exemplo delas, nas pequenas coisas do dia-a-dia, que ao final de tudo, se sobrepõe. Imagino que a energia tão boa que elas transmitem seja uma fagulha, se comparada àquela experimentada na presença do próprio Cristo. Por que, então, eu precisaria imaginá-las sofrendo, pregadas em uma cruz?
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A todos, uma Páscoa de muito otimismo e fé em dias melhores!

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