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Dentre os relatórios de mercado que me chegam todos os dias, o do ABN é sem dúvida um dos mais diferenciados. O comentário mensal da economia sempre vem com um artigo relacionado ao tema "Ecoeconomia". O de fevereiro, também publicado no Valor On Line, é muito interessante, e apresenta o seguinte título e sub-título:
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Crescimento econômico: a panacéia de todos os nossos males.
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Um dia a humanidade acreditou que a Terra era plana. Hoje acredita que o crescimento econômico eterno é possível num planeta finito.
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O artigo basicamente desmistifica a tese do crescimento econômico inconsequente, sob o ponto de vista da sustentabilidade.
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"[...]Acredita-se tão cegamente na capacidade de o crescimento resolver todos os nossos problemas, inclusive os sociais, que nem sequer se avaliam suas reais conseqüências. [...] A economia está em franco descompasso com o conhecimento acumulado pelas ciências - a física, a paleontologia, a biologia, a sociologia, a ecologia e etc -, a ponto de ter se tornado um enorme erro teórico, ao ignorar nossa impossibilidade de superarmos os limites da biosfera planetária e nossa condição animal. Esse erro acabaou se convertendo numa séria ameaça contra todos os seres vivos. Basta lembrar duas tragédias mundiais causadas pelo crescimento econômico: o aquecimento global e a maior extinção de vida na Terra nos últimos 65 milhões de anos. E esses não são nossos únicos problemas e nem os mais graves."
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A seguir, o artigo comenta sobre a importância do equilíbrio populacional, e as consequências que já se observam nas previdências dos países mais desenvolvidos. Faz uma severa crítica à ciência econômica e sua limitada análise em torno das relações entre ecossistemas. Mostra, também, uma estatística preocupante:
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"Embora o crescimento populacional tenha se reduzido de 2% nos anos 1970 para 1,2% em 2005, estamos hoje adicionando mais gente que nos anos 1970: quase a população do México anualmente. A forma como se ignora esse enorme incremento populacional se explica pelo mito da teoria econômica, que considera o sistema econômico neutro para o meio ambiente, que, por sua vez, é tido como inesgotável."
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Por fim, o grand finale:
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"A agenda econômica principal deveria ser desatrelar todos os sistemas financeiros e empresariais do crescimento econômico, estabilizar as populações, instalar imediatamente princípios ecoeficientes e de desmaterialização nos sistemas de consumo, produção e transporte e começar a discutir de forma mais aberta os resultados sociais e ambientais do crescimento.
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A meta não deveria ser crescer, mas desenvolver-se com equilíbrio social e ambiental, sem ameaçar o futuro das gerações atuais e vindouras, com a ajuda do conhecimento de outras ciências. Com essa agenda esquecida, a discussão do crescimento econômico não é mais que um 'faz de conta': faz de conta que todos vão ter empregos permanentes, que a região sudeste não vai virar um deserto sem a Amazônia, que o aquecimento global não existe; faz de conta que a água e o solo são recursos infinitos, que os custos ecológicos são nulos; faz de conta que povoaremos outros planetas e por aí vai..."
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